• Fernando Rodrigues

Baby blues: Sobrevivemos!

Oi pessoal! Voltei a escrever, dois meses depois que nosso Lior nasceu, via barriga solidária, como a maioria que nos acompanha já sabe. Todo o processo tem suas particularidades, bem como cada bebê é um bebê, cada parto é um parto e por aí vai, certo? Já escrevi aqui sobre a avalanche de comentários assustadores que fazem quando você conta pra alguém que vai ter um filho. Isso acontece com todo tipo de casal ou família a espera de um bebê, eu acho. A grande maioria te assusta horrores sobre como são difíceis os primeiros meses, mas sempre emenda com um “Ah, mas tudo compensa”. Quase como se fossem apagar o rosário de bombas que eles desfiam a respeito de ter um recém-nascido em casa.


Lior é um anjinho, mas anjinhos também dão trabalho!

Mas e se eu disser que nosso filho é um anjinho e que nem é esse trabalho hercúleo todo que pregam vocês podem usar o que eu mesmo escrevi ali em cima: cada bebê é um bebê! Mas Fernando, e as cólicas? A privação do sono? Eu responderia: Tudo bem dentro do mínimo. Lior, como disse, não exige nada além de estar limpo e bem alimentado. Parece tudo angelicalmente maravilhoso, bem perfeitinho igual as fotinhos do instagram (@umafamiliasim), não é mesmo? Pois bem, não foi bem assim.


Já ouviram falar de Disforia Puerperal também conhecida como baby blues ou maternity blues? Em bom português: Melancolia pós-parto! Dizem que é totalmente normal e esperado que após a chegada do bebê a mulher fique bem sensível. A confusão de sentimentos pode fazer com que ela se isole, além de uma série de sintomas: Choro constante, mesmo sem motivo aparente; impaciência; ansiedade e nervosismo; irritabilidade; mudança de apetite; fadiga; insônia (mesmo quando o bebê dorme); tristeza por motivos irrelevantes; alterações no humor; capacidade de concentração reduzida; preocupação excessiva com o bebê. Assustador, não acham?


Beleza, mas e no caso de vocês, dois pais com uma barriga solidária que antes mesmo de querer ser nossa barriga passou por um critério rigoroso de avaliação psicológica, uma das exigências do processo (contei mais sobre isso aqui), rola? Rolou com a Su?

Ô se rola! Dose tripla de baby blues.... vivemos!


A maior preocupação das pessoas ao conhecerem nosso caso sempre foi: Mas como a Suelen vai conseguir "dar" o bebê ou como vai ser depois que ele nascer? Foi tudo perfeito no nascimento do Lior entre nós quatro (Eu, Gustavo, Lior e Su). Na maternidade, tudo direitinho até irmos cada um para suas casas. Passada a euforia, bateu forte a melancolia. E cada um de nós reagiu de uma forma.



Su teve todos os sintomas descritos acima para um clássico baby blues. Nada tinha a ver com o bebê, como ela mesma relatava. Foi a primeira vez que ela fez uma cesariana depois de três partos naturais. Além disso, ela também escolheu fazer uma laqueadura. As duas cirurgias a abalaram bastante. Su não sabia explicar, mas com algumas pessoas ela comentava sobre um sentimento de rejeição, saudade de estar grávida e uma expectativa bem alta em relação à recuperação rápida da forma física. Todo mudo ficou mega curioso para saber como ela se sentia e ela não sabia explicar exatamente. Chorava muito, mas reafirmava que não era nada em relação ao processo. Quanto a isso, ela continuava se sentindo realizada, assim como nós, por ter conseguido tornar verdade nosso sonho conjunto!

Visitinha da Tias Su!

E os papais? Uma pesquisa realizada pela McGill University do Canadá descobriu que os pais também podem sofrer com o famoso baby blues. E nós sofremos! Cada um de uma maneira. Enquanto papai Gustavo ficou paralisado, só querendo dormir, eu, papai Fernando, virei um leão acuado: Muito agressivo (com todos menos o baby, claro), insone, via problema em tudo que falavam ou faziam ao meu redor. Bastava uma palavra mal colocada em relação a mim ou ao baby para eu atacar direto na jugular. Gustavo, Su e até minha mãe foram vítimas indefesas dos meus ataques. Foram dias difíceis, brigamos todos, nos afastamos todos por alguns dias. Foi quando fiz um post-desabafo no Facebook e recebi muitas mensagens comentando sobre a melancolia pós-parto. O tempo foi passando e fomos nos acalmando. Ter lido sobre isso também deixou o ar mais leve na minha cabeça. Claro que amigos brigam, assim como dizem que um bebê separa mais do que junta um casal. Clichezão falar que o tempo tudo resolve, mas passado todo o estresse potencializado pela rotina exaustiva nós nos acalmamos. Sim, mesmo não sendo um bicho de sete cabeças, até mesmo a rotina de um bebê anjo como o nosso é exaustiva! Ficamos todos bem depois do vendaval de emoções e eu acho que aprendi algumas coisinhas.


Detalhezinhos que gostaria de dividir com vocês leitores sobre o que eu faria diferente no pós-parto. Dicas básicas que talvez tivessem diminuído um pouco a turbulência nessa jornada que estava só começando. Uma listinha que vale para todo mundo que vai ter filhos, não importa como, além é claro de alguns pontos que se aplicam mais a nós por conta do processo da barriga solidária.


  1. Cuide o máximo possível da sua barriga-solidária ou companheira(o) no pós-parto! Não bata de frente, mesmo se achando com razão ou cheio de boas intenções. Foque em amenidades, em conforto e em temas leves. Não é hora para lições nem conselhos. É hora só para mimos e carinho. No nosso caso sempre estivemos disponíveis para a Su, mas tínhamos um bebê para cuidar. Poderíamos ter, quem sabe, passado mais tempo juntos após o nascimento. Mesmo estando em contato o tempo todo. Carinho via whatsapp ou redes sociais não supre a presença física. Bem como, discutir via whatsapp não leva a nada além de palavras mal encaixadas.

  2. Controle e organize as visitas: Eu amo casa cheia! Sempre amei. Algumas pessoas educadamente nos perguntavam quando poderiam vir. A gente logo respondia: Venham quando quiser, não temos frescura. Queríamos exibir nosso tesouro! Foi maravilhoso ver a quantidade de amigos querendo conhecer baby Lior, mas felicidade também estressa, dizem. Hoje teria feito diferente. Teria organizado melhor os horários, negociado mais para que nunca viessem muitas pessoas no mesmo dia e por aí vai. Olha, não tem nada a ver com as pessoas. Como eu disse aqui, nós AMAMOS todas as visitas. Foi o volume e a falta de organização nossa com horários que nos deixou todos ainda mais estressados, principalmente a mim e ao Gustavo. Lior parecia gostar bastante de todos os colinhos que ganhou. Minha dica em resumo é: Organizem horários para as visitas! É importante demais ter o tempo de vocês para não fazer nada além de dormir e tentar relaxar. Outra coisa que fazíamos sempre que recebíamos visitas era incentivar que procurassem a Su e que a enviassem mensagens de reconhecimento e agradecimento =)

  3. A última dica é: Negocie com seu parceiro/parceira uma hora que seja só para você! Eu tive a sorte de ter minha mãe por perto quando ela estava de folga então quando podia ia na academia. Ficar trancado em casa estava me enlouquecendo, foi quando voltei a fazer exercício físico e as coisas começaram a fluir. Na rua às vezes encontrava algum vizinho ou amigo e alguns indagavam com cara de espanto sobre o paradeiro do bebê. Eu horas respondia com bom humor, horas ficava bem puto! Tinha certeza que estava e ainda estou fazendo meu melhor, mas tem sempre uma pressãozinha social. No caso de dois homens, algumas pessoas nos acham incapazes de cuidar de um bebê. Exercitei bastante não cair nessa pilha e consegui me sobressair. E sim eu vou pra academia sempre que minha mãe está de folga! Gustavo ficou conosco por um mês e meio, mas logo teve que voltar para o Rio. Senti falta de ter alguém para ajudar e ficar com o baby sozinho é ainda mais cansativo. Aprendi coisas novas, claro! Manobrar tudo com uma mão só foi uma delas =)


São coisas básicas que eu teria feito diferente. Acredito que buscar ajuda profissional não foi necessário, mas chegamos a pensar. Tivemos acompanhamento psicológico antes e não descarto visitar Dra. Márcia Gusmão no futuro, nem que seja para abrir a cabeça.


Papai Gu sofreu de Baby Blues e de Saudade porque teve que voltar pro Rio antes de nós!

Queria dividir essa parte que não foi mil maravilhas conosco e quem sabe trazer também alguma luz sobre eventuais percalços, também. Estamos todos ótimos, agora. Su também está de licença (4 meses) e Lior segue com desenvolvimento saudável em curso. Queria agradecer a imensidão de carinho e de amor. Somos gratos demais e o retorno do blog nos enche de razões para acreditar que o mundo não é tão ruim como às vezes ele tem se mostrado. Fico muito lisonjeado com a quantidade de pessoas que nos procuraram e nos procuram para tirar dúvidas. Perdi as contas de quanta gente já ajudamos, seja com alguma palavra de encorajamento ou sanando algum questionamento burocrático.


Obrigado,


@Ferciccone



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