• Fernando Rodrigues

Família Doriana?

Atualizado: 26 de Abr de 2019

É uma mistura efervescente de sentimentos começar a escrever sobre esse meu grande sonho, cujo o tempo teve o capricho de colocar mais gente sonhando junto comigo: Ter filhos, formar meu próprio núcleo familiar. Relutei um tempo, planejei os formatos, a linha editorial. O que eu queria com isso no fim das contas? Qual o tesão em abrir detalhes dessa jornada para o mundo? A resposta vinha à cabeça igualzinha sempre: Penso que posso ativar as redes envolvidas nesse projeto como ferramentas geradoras de visibilidade para os novos modelos de família, para a parentalidade de casais gays, para o ato de amor que são os processos de adoção e barriga solidária.


Uma amiga do trabalho uma vez deixou um comentário numa foto minha no Facebook em que eu estava com meu afilhado e com meu marido. Ela disse que nós parecíamos a versão gay da família Doriana. Eu achei aquilo tão irreverente. O comercial serve até hoje para definir o que é uma família considerada dentro dos padrões. Sempre me pergunto como seria esse comercial da família Doriana hoje em dia, já que temos tantos modelos diferentes de formação familiar ganhando espaço e se mostrando possíveis, saudáveis e estruturados.

Claro que ainda tem uma gama vasta de grupos conservadores que tentam negar e restringir o conceito de família. Sobre eles não vou falar, não é minha ideia conversar com os que têm sua opinião embasada em preconceito e a esses eu gosto de lembrar o que o jurista Rolf Madaleno comentou acerca das mudanças ocorridas no conceito tradicional de família no campo jurídico:


“...A família matrimonializada, patriarcal, hierarquizada, heteroparental, biológica, institucional vista como unidade de produção cedeu lugar para uma família pluralizada, democrática, igualitária, hetero ou homoparental, biológica ou socioafetiva, construída com base na afetividade e de caráter instrumental..” MADALENO, Rolf. Curso de direito de família. 6. ed. Rio de Janeiro: Forense, 2015.




As novas famílias estão aí, aos montes, vivendo, sobrevivendo e se transformando. É sobre elas e com elas que eu gostaria de conversar. A ideia é poder ter a oportunidade de dividir minhas experiências e quem sabe ajudar, como se fosse um tire dúvidas que seja, sobre os caminhos da adoção, da monoparentalidade, do processo pelo qual estamos passando de barriga solidária.




Claro que ter filhos não é um quesito para uma família ser considerada como tal. Como bem frisou Madaleno, o conceito de família é pluralizado. No meu caso eu tinha esse sonho de ter muitos filhos. Estou começando por ter UM e é essa história que gostaria de dividir.


Nossas dúvidas nessa jornada.


São muitas as questões que me surgiam o tempo todo quando desandei a pôr em prática meu projeto pessoal de família: Quais as opções para quem ter uma família com filhos, biológicos ou não? Casais gays podem adotar? Solteiros podem? Como se habilitar? Barriga de aluguel existe no Brasil? Existe banco de óvulo?

As nuances são vastas, amplas e de múltiplos desfechos.


Espero de coração que muitas pessoas encontrem ressonância em minhas histórias e que o processo de formação da minha família possa dar mais visibilidade, compreensão e aceitação para tantas outras que já existem ou também estão se formando.


Nossa barriga solidária hoje com 30 semanas!

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Acompanhe por aqui e pelo nosso instagram @umafamiliasim o desfecho da nossa barriga solidária e demais dicas e temas envolvendo os novos modelos de família e parentalidade.

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