• Fernando Rodrigues

Mas Dindo, ele não vai ter uma mamãe?

Atualizado: 3 de Jun de 2019

Uma das coisas mais gratificantes nessa vida de blogueiro tem sido poder esclarecer dúvidas que rodeiam nosso processo de Barriga Solidária e a constituição da nossa família. Todos os dias nos deparamos com questões técnicas e até algumas interrogações mais filosofais e psicológicas. Essa semana participei de um encontro no trabalho com foco em construção de times (team building) e me marcou muito ouvir da boca do instrutor algo que acredito piamente. Uma máxima que fundamenta um pouco da existência do nosso perfil nas redes e do nosso blog. O facilitador do curso comentou mais ou menos assim:


“ O mal (preconceito, fofoca, desinformação, julgamento) precisa do escuro para agir e sobreviver”.


Pois é exatamente essa visibilidade que buscamos. Trazer luz para que determinados mitos sejam esclarecidos. Tem muita coisa que chega para nós via nosso perfil no Instagram (@umafamiliasim). Já tratamos algumas num outro post aqui, mas como é um processo orgânico, tem sempre alguma pergunta à espera de esclarecimento. Alguns temas exigem vivência, mesmo que já estejamos super informados sobre os ritos de determinados obstáculos e desafios. Um exemplo: Como vai ser o registro do filho de vocês? Ele vai ter o nome dos dois pais na certidão? Tecnicamente conhecemos o caminho, mas ainda não chegamos lá! Há relatos de que hoje em dia é bem simples essa parte, mas também já ouvi pessoas próximas que tiveram que trocar de cartório e até mesmo acionar advogados.

Dudinha curiosa!

Hoje pela manhã fizemos uma vídeo-chamada com nossa afilhada Duda. Papo vai, papo vem e ela dispara: Dindo vocês são maridos, mas quem vai ser a mamãe do Lior? Coração na boca (ela só tem 3 anos) e respondemos que Lior, nosso baby, vai ter dois papais. Ela pensou e disse que ele precisava de uma mamãe. Normal a confusão, né? Quem nunca? Eu mesmo levantei essa bola ao passar pela psicóloga que avalia o casal dentro do processo da barriga solidária. A resposta dela guardo comigo até hoje. Dra. Márcia foi muito direta em sua resposta baseada em conhecimento técnico:

“...A figura materna ou paterna nem sempre é ligada ao gênero dos Pais. Uma vó pode assumir o papel de Pai, um padrinho pode representar a figura da mãe. A criança é quem constrói esses conceitos à medida que vai crescendo, sem nenhum ônus psicológico ao lidar com esses modelos diversificados...”


É importante estar preparado para esses questionamentos, e como disse: Faz parte do processo! Quanto mais luz, menos preconceito. Por isso divido com vocês alguns esclarecimentos sobre filhos de casais gays. Eles servem para você que é gay e pensa em ter filhos e para quem também não é, mas pode atuar como aliado para um mundo com mais tolerância e menos achismo. Separei abaixo os principais mitos que rondam a parentalidade homoafetiva. Extraídos de uma excelente matéria da Revista Superinteressante,

Mito 1. “Eles precisam da figura de um pai e de uma mãe”

Filhos de gays não são os únicos que crescem sem um dos pais. Durante a 2ª Guerra Mundial, estima-se que 183 mil crianças americanas perderam os pais. No Brasil, 17,4% das famílias são formadas por mulheres solteiras com filhos. Na verdade, os papéis masculino e feminino continuam presentes como referência mesmo que não seja nos pais. “É importante que a criança tenha contato com os dois sexos. Mas pode ser alguém significativo à criança, como uma avó. Ela vai escolher essa referência, mesmo que inconscientemente”, explica Mariana Farias (Psicóloga). Se há uma diferença, ela é positiva. “Crianças criadas por gays são menos influenciadas por brincadeiras estereotipadas como masculinas ou femininas”, diz Arlene Lev. Uma pesquisa feita com 56 crianças de gays e 48 filhos de héteros apontou a maior probabilidade de meninas brincarem com armas ou caminhões, por exemplo.

Mito 2. “As crianças terão problemas psicológicos por causa do preconceito”


Elas sofrerão preconceito. Mas não serão as únicas. No ambiente infantil, qualquer diferença – peso, altura, cor da pele – pode virar alvo de piadas. Não é certo, mas é comum. Uma pesquisa da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas com quase 19 mil pessoas mostrou que 99,3% dos estudantes brasileiros têm algum tipo de preconceito. Entre as ações de bullying, a maioria atinge alunos negros e pobres. Em seguida vêm os preconceitos contra homossexuais. No caso dos filhos de casais gays analisados pelo National Longitudinal Lesbian Family Study, quase metade relatou discriminação por causa da sexualidade das mães.Por vezes, foram excluídos de atividades ou ridicularizados. Vinte e oito por cento dos relatos envolviam colegas de classe, 22% incluíam professores e outros 21% vinham dos próprios familiares. Felizmente, isso não é sentença para uma vida infeliz. Pesquisas que comparam filhos de gays com filhos de héteros mostram que os dois grupos registram níveis semelhantes de autoestima, de relações com a vida e com as perspectivas para o futuro. Da mesma forma, os índices de depressão entre pessoas criadas por gays e por héteros não é diferente.

Mito 3. “As crianças irão se tornar gays”

Primeiro, o mais importante: isso não seria um problema, já que homossexualidade não é disfunção. Segundo: isso não faz sentido – se fizesse, não haveriam gays filhos de pais héteros. Sexualidade não é algo que se aprende observando os pais. É uma característica inata. A diferença é que a criança tende a se tornar um adulto tolerante com a sexualidade alheia, já que vai entender melhor qualquer relação homoafetiva entre outras pessoas além dos pais (ou das mães). Isso também ajuda com a própria sexualidade. Se o garoto sentir atração por outros garotos, ou a menina por outras meninas, eles tenderão a expressar esse sentimento com naturalidade.

Mito 4. “Essas crianças correm risco de sofrer abusos sexuais”


Esse mito é resquício da época em que a homossexualidade era considerada um distúrbio. Desde o século 19 até o início da década de 1970, os gays eram vistos como pervertidos, portadores de uma anomalia mental transmitida geneticamente. Foi só em 1973 que a Associação de Psiquiatria Americana retirou a homossexualidade da lista de doenças mentais. É pouquíssimo tempo para a história. O estigma de perversão, sustentado também por líderes religiosos, mantém a crença sobre o “perigo” que as crianças correm quando criadas por gays.Até hoje, as pesquisas ainda não encontraram nenhuma relação entre homossexualidade e abusos sexuais. Nenhum dos adolescentes do National Longitudinal Lesbian Family Study reportou abuso sexual ou físico. Outra pesquisa, realizada por três pediatras americanas, avaliou o caso de 269 crianças abusadas sexualmente. Apenas dois agressores eram homossexuais. A Associação de Psiquiatria Americana ainda esclarece: “Homens homossexuais não tendem a abusar mais sexualmente de crianças do que homens heterossexuais”.

Temos medo do preconceito? Um pouco, mas não algo que nos paralise. Como foi bem dito no Mito número 2, não há como evitar 100%, mas dá para se preparar. Dá para trazer luz e embasamento científico e melhor, dá para propagar conhecimento. Foi para isso que criamos o blog e o retorno tem sido bem positivo até agora.


Matéria completa da Super aqui.

Dindo Gugu e Dudinha curica, amém =)

Obrigado sempre a todos que nos apoiam e nos motivam nessa jornada e obrigado a Dudinha curiosa que nos deu o gancho.



@ferciccone

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