• Fernando Rodrigues

Ui que doida ela, que doidos vocês!

Depois de contar um pouco do propósito do nosso projeto aqui no primeiro post a ideia é mostrar algumas nuances do nosso processo de barriga solidária. Não para justificar exatamente, mas para trazer à tona algumas dúvidas básicas que surgem de pessoas queridas e interessadas. Se as dúvidas esclarecidas aqui matarem a curiosidade das pessoas não tão legais assim, tudo bem também, importante é o serviço, já que de desserviço a internet está cheia.

Realidade da fila da adoção no Brasil

6 anos atrás comecei a investigar tudo sobre outro tema: A adoção! Vou detalhar sobre essa mini-saga em posts futuros, mas por hora adianto que sou habilitado desde fevereiro de 2015 e espero na fila até a data de hoje. Pois bem, estava navegando pelo Twitter no fim da semana e me deparei com uma usuária questionando o porquê das pessoas buscarem por filhos biológicos "já que tem tanta criança para adotar no mundo". Bem, eu não posso responder pelas escolhas dos outros, mas posso dividir um pouco da nossa. Primeiro há o mito de que existem milhares de crianças para adoção no Brasil, o que não é bem uma verdade. Até o ano passado existiam algo em torno de 5.000 crianças LEGALIZADAS para a adoção, enquanto mais de 36.000 famílias habilitadas aguardavam na fila. Nós esperamos há 4 anos e infelizmente, até o momento nada. Tínhamos uma vontade enorme de ter um bebê, muita gente quer viver essa fase com eles pequeninos. Costumo dizer que no momento que estamos prestes a ter o nosso sonho realizado vem chegando junto também a hora de amadurecer a ideia para uma adoção de criança maior de 4 anos, ou adoção tardia, como chamam. Quero ter mais filhos e quem sabe o próximo vai ser via adoção. Mas como partimos de querer adotar para a barriga solidária? Foi uma decisão simples largar o projeto de adotar, ainda que por hora? Claro que não! Nem adoção nem barriga solidária são processos simples. Uma questão fundamental para quem busca processo de barriga solidária é: Você tem alguém que faria isso por você? Nós, imensamente afortunados, tínhamos essa pessoa: Minha amiga de infância que há anos conversava comigo sobre o tema: Nosso anjo chamado Suelen Viviane Domingos.

Todo mundo deve ter achado lindo o ato de amor dela, não é mesmo? Não exatamente! Quando comentávamos com algumas pessoas próximas, a reação era quase sempre de preocupação, não por mal, mas talvez por falta de conhecimento dos detalhes. "..Vocês são doidos, ouvimos bastante..."


Nosso anjo Su! Aqui grávida de 6 meses do nosso tesouro. Já estamos no oitavo mês!

Mas ela vai dar o filho dela assim?


Como comentei, esse era um sonho comum nosso, um sonho de adolescentes! Minha amor amiga Su e eu sempre imaginávamos que esse dia chegaria. Ela mais do que todo mundo sempre teve a fé e a força que precisávamos. “Fer, o dia que quiseres um filho eu te ajudo!”. Por anos, sempre que ela me encontrava fazia questão de me lembrar desse sonho. O meu de ter um filho e o dela de poder ajudar alguém a conseguir realizar. “Fer quando vai ser? Agiliza, vou ser tua barriga!!!”. E não é que estamos realizando? Hoje estamos grávidos de 31 semanas, depois de uma primeira tentativa frustrada. Mesmo com todas as conversas que temos provocado entre amigos e parentes, algumas dúvidas ainda são bem comuns. Listo abaixo um pouco das perguntas frequentes que ouvimos antes de revelarmos a gravidez e depois quando as pessoas se deparam com a Su grávida de um bebê que não é dela. O terror mais comum das pessoas é: Mas ela vai dar o bebê? E se ela se arrepender e não quiser entregar a criança? No início achávamos estranho, agora damos risada e até temos usado de bom humor para explicar esses mitos de forma simples:


A barriga solidária é um processo legalizado?

Sim é um processo regulamentado. Não há uma lei sobre o tema em vigor no Brasil. O que há são resoluções do Conselho Federal de Medicina (CFM) e um provimento do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) . Aqui nesse artigo tem uma explicação redondinha sobre a diferença entre barriga solidária e barriga de aluguel.

Mas como ela tem coragem de dar um filho assim?

Primeiro de tudo, o filho não é da Su. O baby não tem nada genético dela. O processo legal de barriga solidária exige que o óvulo seja de uma doadora, que não a Su, e foi assim que fizemos. Gosto da frase que ela mesmo usa, muito didaticamente, para explicar as pessoas o papel dela como barriga solidária: “Emprestei um espaço no meu corpo para que meu amigo pudesse colocar ali seu filho. É uma responsabilidade enorme ser essa guardiã e eu me sinto muito realizada em poder ajudar.” Durante a legalização prévia, para que pudéssemos fazer a fertilização in vitro e logo a transferência para o útero da Su, nós três passamos por uma avaliação psicológica e no final foi emitido um laudo atestando se estávamos aptos ou não a passar por esse processo. Su foi aprovada com louvor. Ela já tem 3 filhas e costumamos brincar que nem que fossem gêmeos ela não iria querer ficar com nenhum dos meus. Fechou a fábrica para si mesma, mas abriu o coração para que nós realizássemos nosso sonho conjunto.


Tem muita curiosidade das pessoas sobre a chegada do meu Baby. Adoramos responder cada uma delas! Seguiremos por aqui contando mais e mais. Mostrando por meio da nossa história variadas possibilidades, dores e delícias dessa jornada.


Tem algum pergunta? Manda pra gente! Acompanhe o tema também pelo nosso instagram .


Aproveito a oportunidade para agradecer o carinho e palavras de incentivo desde que lançamos o primeiro post. Vocês não sabem o quanto significa cada gesto de apoio! Um beijo enorme da minha família para a família de todos vocês.


Fernando

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